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13/09/2008

Poema de Mudança - Camões

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Ando numa fase simplória, deixando de lado assuntos mais profundos.
As idéias estão fervilhando na minha cabecinha de vento pensante, mas me falta tempo para coloca-las em palavras escritas.
Para tentar um começo mais papo-cabeça, ou melhor, mais inteligente, vou deixar aqui um poema do Camões que muito me agrada.
Bom fim de semana a todos que vierem visitar o blog!

Poema de mudança

" Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades."


Luís de Camões, Lírica

01/05/2008

Poema - Receita para Amar uma Gordinha

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13/12/2007

Se cada dia cai - Pablo Neruda

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Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

07/06/2007

Corpus Cristi

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Não sei se posso me considerar muito religiosa nos moldes "normais".
Não vou a Igreja, e não assisto missa. Sou católica por batismo, e fiz até primeira comunhão. Me casei, a primeira vez na Igreja, mas não sei porque não me sinto bem tendo que cumprir a obrigação de estar lá toda semana ouvindo sermões, nem sempre agradáveis, de alguém que nem viveu a vida ( O Padre).
Não quero discutir o mérito da religião, até porque daria uma bela discussão! Mamy sempre dizia que não devemos discutir religião e futebol...lol

Portanto, hoje, Corpus Cristi, deixo aqui um poema de Fernando Pessoa que muito me agrada.

DEUS

"Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva,
para que possamos compreender
o infinito valor da paz.

Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da
aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos
ensinar sobre a responsabilidade
do que dizemos.

Às vezes usa o cansaço,
para que possamos compreender
o valor do despertar.

Outras vezes usa doença,
quando quer nos mostrar
a importância da saúde.

Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar
sobre água.

Às vezes, usa a terra,
para que possamos compreender o valor do ar.

Outras vezes usa a morte,
quando quer nos mostrar
a importância da vida".

(Fernando Pessoa)

03/06/2007

Idade de ser Feliz!

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Existe somente uma idade para a gente ser feliz,

somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos

e ter energia bastante para realizá-los

a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida

e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo
com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada
em que a gente pode criar
e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores

e entregar-se a todos os amores
sem preconceito, nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo desafio
é mais um convite à luta
que a gente enfrenta
com toda disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente

chama-se PRESENTE

e tem a duração do instante que passa ...


Mário Quintana

25/05/2007

É Preciso Não Esquecer Nada

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É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.


Cecília Meireles

31/03/2007

Felicidade...

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“A vida é um poema de beleza,
cujos versos são constituídos de propostas de luz,
escritas na partitura da natureza,
que lhe exalta a presença em toda parte.
Em conseqüência,
a oportunidade da existência física
constitui um quadro a parte de encantamento e conquistas,
mediante cuja aprendizagem
o Espírito se embeleza e alcança os altos planos da realidade feliz.”

Autor Desconhecido

23/03/2007

Antologia de Vinicius de Moraes

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É...nossa eu havia me esquecido completamente...
Visitando o Sindrome de Estolcomo, lembrei-me que tenho a minha Antologia Poética de Vinicius de Moraes.
Daí vim dar essa dica: Pra quem gosta de Vinicius (aliás não conheço muitos que não gostem)
é fácil ler e conhecer bastante de seu trabalho e ainda montar a sua própria Antologia.
Então é só clicar AQUI e navegar pela poesia do eterno Poetinha!

Quem quiser conhecer a minha Antologia clica AQUI

E pra não deixar passar esta oportunidade, deixarei um poeminha que adoro:

A partida

(Vinicius de Moraes)

Quero ir-me embora pra estrela
Que vi luzindo no céu
Na várzea do setestrelo.
Sairei de casa à tarde
Na hora crepuscular
Em minha rua deserta
Nem uma janela aberta
Ninguém para me espiar
De vivo verei apenas
Duas mulheres serenas
Me acenando devagar.
Será meu corpo sozinho
Que há de me acompanhar
Que a alma estará vagando
Entre os amigos, num bar.
Ninguém ficará chorando
Que mãe já não terei mais
E a mulher que outrora tinha
Mais que ser minha mulher
É mãe de uma filha minha.
Irei embora sozinho
Sem angústia nem pesar
Antes contente da vida
Que não pedi, tão sofrida
Mas não perdi por ganhar.
Verei a cidade morta
Ir ficando para trás
E em frente se abrirem campos
Em flores e pirilampos
Como a miragem de tantos
Que tremeluzem no alto.
Num ponto qualquer da treva
Um vento me envolverá
Sentirei a voz molhada
Da noite que vem do mar
Chegar-me-ão falas tristes
Como a querer me entristar
Mas não serei mais lembrança
Nada me surpreenderá:
Passarei lúcido e frio
Compreensivo e singular
Como um cadáver num rio
E quando, de algum lugar
Chegar-me o apelo vazio
De uma mulher a chorar
Só então me voltarei
Mas nem adeus lhe darei
No oco raio estelar
Libertado subirei.

12/03/2007

Sobre o Caminho (Ou-i)

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Aquele que se agarra à visão mundana
Não pode entrar no caminho [chin. Tao].
Àquele que não entende realmente, mas diz que entende,
Você não pode falar sobre o caminho.
Aquele que vive no conforto ocioso e que é preguiçoso
Não pode aprender o caminho.
Aquele que acredita em mentes individuais e separadas
Não pode falar sobre o caminho.
Aquele que abandona o movimento e procura a calma
Não pode cultivar o caminho.
Aquele que abandona o ensinamento para investigar a meditação [chin. Ch'an]
Não pode atingir o caminho.
Aquele que depende de palavras e conceitos para explicar o significado profundo do Dharma
Não pode entender o caminho.

Aquele que deseja ser apressado e procura por algo fácil
Não pode ser iluminado pelo caminho.
Aquele que separa o pequeno do grande
Não pode ser iluminado pelo caminho.
Aquele que se agarra ao impuro chamando-o de puro
Não pode conhecer o caminho.
Aquele que não gosta das coisas comuns e simples e,
Ao invés disso, tem uma afeição por coisas novas e especiais,
Não pode tender ao caminho.
Aquele que gosta apenas do simples e superficial
Mas não gosta do detalhado e profundo
Não pode entender o caminho.
Aquele que conduz uma tarefa de maneira superficial e que não gosta de esforço,
O que é contra a disciplina,
Não pode praticar o caminho.

Aquele que atinge um pouco mas acha que é suficiente
Não pode praticar o caminho.
Aquele que tem pouco entendimento mas acha que é suficiente
Não pode atingir o caminho.
Para atingir o caminho,
Apenas transcenda as preocupações, visões e tentações mundanas.
Para atingir o caminho,
Apenas permaneça modestamente e com mente aberta.
Para atingir o caminho,
Apenas trabalhe assiduamente.
Para atingir o caminho,
Apenas aprenda, com professores bons e próximos,
Como compreender o Dharma intuitivamente e, em todos os lugares,
Use o ensinamento experientemente para selar a mente.

(Ou-i, 1595-1653. Adaptado de An Exhortation to be alert to the Dharma. Traduzido por Lok To)

08/03/2007

Especial Dia da Mulher - O que é um Mulherão?

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Hoje assistindo ao programa da Olga Bongiovani, vi essa crônica da escritora gaúcha Martha Medeiros.
O engraçado é que já recebi outros textos dela por email e não tinha ligado o nome a pessoa. Porém, esta crônica não conhecia.
Gostei tanto, por retratar a vida de um "Mulherão" de verdade, que achei uma ótima idéia postar aqui nesse Dia Internacional da Mulher...


O que é um Mulherão?

Peça para um homem descrever um mulherão.

Ele imediatamente vai falar no tamanho dos seios,
na medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas,
bumbum e cor dos olhos.

Ou vai dizer que mulher tem que ser loira, 1m80,
siliconada, sorriso colgate...

Mulherões, dentro deste conceito, não existem
muitas: Vera Fischer, Malu Mader, Leticia
Spiller, Adriane Galisteu, Lumas e Brunas...

Agora pergunte a uma mulher o que ela considera
um mulherão e você vai descobrir que tem uma
em cada esquina...

Mulherão é aquela que pega dois ônibus para ir
ao trabalho e mais dois para voltar, e quando
chega em casa encontra um tanque lotado de
roupa e uma família morta de fome.

Mulherão é aquela que vai de madrugada à fila
garantir a matrícula na escola do filho , é aquela
aposentada que passa horas em pé na fila do banco
para buscar uma pensão de 100 reais.

Mulherão é a empresária que administra dezenas
de funcionários de segunda a sexta, e uma família
todos os dias da semana.

Mulherão é quem volta do supermercado segurando
várias sacolas depois de ter pesquisado preços e
feito malabarismo com o orçamento.

Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes,
que se maquia, que faz dieta, que malha,
que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se
perfuma, mesmo sem nenhum convite para
ser capa de revista.

Mulherão é quem leva os filhos à escola, busca os
filhos da escola, leva os filhos à natação, busca os
filhos da natação, leva os filhos para a cama,
conta-lhes estórias, dá-lhes um beijo e apaga a luz.

Mulherão é aquela mãe de adolescente que não
dorme enquanto ele não chega, e que de manhã
bem cedo já está de pé, esquentando o leite...

Mulherão é quem leciona em troca de um salário
mínimo, é quem faz serviços voluntários, é quem
colhe uva, é quem opera pacientes, é quem lava
roupa para fora, é quem bota a mesa, cozinha
o feijão e à tarde trabalha atrás dum balcão.

Mulherão é quem cria filha sozinha, quem dá
expediente de oito horas e enfrenta menopausa,
TPM, menstruação.

Mulherão é aquela que, em casa, sabe onde cada
coisa está, o que cada filho sente e qual o
melhor remédio pra tosse.

Lumas, Brunas, Carlas, Luanas e Sheilas:
mulheres notas 10 no quesito lindas de morrer,
pode ser... Mas mulherão mesmo é aquela que mata
um leão todos os dias.

07/03/2007

Especial Dia da Mulher - Ser Mulher...

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Começando a Blogagem Coletiva proposta pela Denise...

SER MULHER....

Ser mulher é viver mil vezes em apenas uma vida, é lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora, é estar antes do ontem e depois do amanhã, é desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos.

Ser mulher é caminhar na dúvida cheia de certezas, é correr atrás das nuvens num dia de sol e alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher é chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza, é cancelar sonhos em prol de terceiros, é acreditar quando ninguém mais acredita, é esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher é identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa, é ser enganada e sempre dar mais uma chance, é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda.

Ser mulher é estar em mil lugares de uma só vez, é fazer mil papéis ao mesmo tempo, é ser forte e fingir que é frágil pra ter um carinho.

Ser mulher é se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas, é distribuir emoções que nem sempre são captadas.

Ser mulher é comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever, é construir castelos na areia, vê-los desmoronados pelas águas e ainda assim amá-las.

Ser mulher é saber dar o perdão, é tentar recuperar o irrecuperável, é entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher é estender a mão a quem ainda não pediu, é doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher é não ter vergonha de chorar por amor, é saber a hora certa do fim, é esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher é ter a arrogância de viver apesar dos dissabores, das desilusões, das traições e das decepções.

Ser mulher é ser mãe dos seus filhos e dos filhos dos outros e amá-los igualmente.

Ser mulher é ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem, é desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos e fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher é entender as fases da lua por ter suas própria fases. É ser “nova” quando o coração está a espera do amor, ser “crescente” quando o coração está se enchendo de amor, ser “cheia” quando ele já está transbordando de tanto amor e “minguante” quando esse amor vai embora.

Ser mulher é hospedar dentro de si o sentimento de perdão, é voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes coisas que nunca ficaram esquecidas.

Ser mulher é cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar as suas próprias feridas sangrando.

Ser mulher é ser princesa aos 20, rainha aos 30, imperatriz aos 40 e especial a vida toda.

Ser mulher é conseguir encontrar uma flor no deserto, água na seca e labaredas no mar.

Ser mulher é chorar calada as dores do mundo e em apenas um segundo já estar sorrindo.

Ser mulher é subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda, é tropeçar, cair e voltar a andar.

Ser mulher é saber ser super-homem quando o sol nasce e virar cinderela quando a noite chega.

Ser mulher é acima de tudo um estado de espírito, é ter dentro de si um tesouro escondido e ainda assim dividi-lo com o mundo.

Autor desconhecido ou ignorado.

27/02/2007

Pensamento - Robert Musil

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"Não há nenhum pensamento importante
que a burrice não saiba usar,
ela é móvel para todos os lados
e pode vestir todos os trajes da verdade.
A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez
e só um caminho, e está sempre em desvantagem"

Robert Musil em O Homem sem Qualidades

14/02/2007

A Arte de Ser Feliz - Cecília Meireles

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Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

29/01/2007

Por que palavras? - Conto Zen

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Um monge aproximou-se de seu mestre
— que se encontrava em meditação no pátio do templo à luz da Lua —
com uma grande dúvida:

"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório;
e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio.
Mas vejo que os sutras e as recitações são feitas de palavras;
que o ensinamento é transmitido pela voz.
Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"

O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua;
cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."

O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar
que algum dedo alheio a indique?"

"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti.
As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes,
desaparecem quando em contato prolongado com o ar.
A Lua está e sempre esteve à vista.
O Dharma é eterno e completamente revelado.
As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."

"Então," o monge perguntou,
"por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"

"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção.
Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."

O mestre ficou em silêncio durante muito tempo.
Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

Fonte: Dharmanet