04/07/2006

Helena Kolody - Maquinomem

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Fui apresentada a esta poetisa de uma forma bem inusitada... Não muito conhecida, Helena Kolody me encantou profundamente
com seus lindos poemas.

Eis o que mais gostei:




Maquinomem

O homem esposou a máquina 
e gerou um híbrido estranho:

um cronômetro no peito

e um dínamo no crânio.

As hemácias de seu sangue

são redondos algarismos.

Crescem cactos estatísticos
em seus abstratos jardins.

Exato planejamento,
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.

Em seu íntimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos gritos estremecem
a metálica estrutura;
há reflexos flamejantes
de uma luz imponderável
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem.

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