25/08/2006

Se - Rudyard Kiplling

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Se és capaz de manter a tua calma quando todo
o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
Se és capaz de crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares, ou,
enganado, não mentir ao mentiroso, ou, sendo odiado,
sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de sonhar sem sem se tornar um sonhador

Se és capaz de pensar sem que a isso só te atires;

Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires tratar
da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas em
verdades que disseste, e as coisas, pôr que deste a vida,
estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada tudo quanto
ganhaste em toda a tua vida
perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida;

Se és capaz de forçar coração, nervos, músculos
a dar seja o que for que neles ainda existe, e a persistir assim quando,
exaustos, contudo resta a vontade em ti que ainda ordena: Persiste!
Se
és capaz de, entre a plebe, não te corromperes e,
entre reis, não perder a naturalidade

Se entre amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,

Se a todos podes ser de alguma utilidade,

Se és capaz de dar, segundo pôr segundo,
Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,

Tua é a terra com tudo o que existe no mundo

E o que mais, tu serás um homem, ó meu filho

Rudyard Kipling

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